Um dia, e não somente por um dia, o ser voltará à sua essência. A grande árvore se verá na semente, o adulto se reconhecerá na criança que dormia em si. Um dia seremos libertos de toda a ilusão  que o mundo insiste em nos colocar. O mundo de fora, construído por conceitos e murais que tentam manter afastado tudo o que nos liga à natureza – tanto à mãe terra quanto à natureza humana.  É este mundo ditado por normas e regras que nos faz crer  o tempo comanda a vida, que a vida é luta, e a luta glorifica o homem. Acreditamos na “lei do mais forte”. Mas será que nos questionamos se essa força vem da guerra ou da paz? Não será hora de sair da selva, da caverna instintiva onde aprisionamos a nossa divindade interior e evoluir?

O mundo nos ensina a lutar para buscar as coisas que alimenta o corpo sem nutrir a alma. Nos faz fugir da própria armadilha onde nos colocamos, na tentativa insana de vestir a roupa da normalidade e se ajustar ao padrão, mesmo esmagando a própria essência! O mundo nos faz crer que só é real o que nossos olhos podem alcançar. Mas só se vê bem com o coração, já nos ensina um certo principezinho, que em um planeta distante, achava graça da capacidade de que as pessoas grandes tem de complicar as coisas!

Um dia conseguiremos nos conectar de verdade, sem wi-fi, ou redes sociais, contando apenas com a rede humana, cósmica, universal e vital que nos une em um abraço acolhedor. E assim conseguiremos nos conectar com quem nos somos e com quem o outro é, sem máscaras, sem maquiagens. E ao olharmos o outro, seja ele quem for, e qual rótulo ele vista, veremos diante de um espelho que reflete nada menos do que a essência.

Este dia não está em um futuro distante, quanto os seres iluminados de Órion, Sírius, Plêiades nos farão companhia para mudar o planeta. Não será quando o Cristo voltar, porque ele nunca nos deixou! Estão todos entre nós, disfarçados de loucos, crianças, velhos, artistas, líderes, ou mesmo das pessoas que insistem em vestir a roupa da normalidade, já que ela parece mais confortável. Então escuta a sua criança interior dizendo “Vai! Suja as mãos de tinta para colorir o mundo, põe os pés na terra, dança, erra, avança! Se cair, levanta e voa! Se der medo, vai com medo mesmo! Leva outros loucos com você, para mostrar como é lindo viver a vida em alegria! Se o mundo todo for contra, larga a mão e vai na contramão mesmo! Solte as pedras da mágoa e do passado, deixa que elas rolem abismo abaixo! Pode apostar, elas são pesadas demais para saírem correndo atrás de você! O que não for leve, que o tempo leve!”

Saiba, a gente planta, e um dia a colheita vem! Mas eu não vou esperar este dia chegar para aproveitar a delícia que é temperar a terra, participar da transformação, e acreditar, com todas as forças, que a gente é agente das mudanças que virão. Que deixaremos um mundo melhor para nós mesmos e as nossas crianças. As que vivem fora, e especialmente a que vive dentro de nós. E nos veremos nela, porque não existe tempo, nem distância, nem o que chamamos de outro. Somos todos um.  Vamos escrever a nossa própria história, aprendendo e ao mesmo tempo ensinando, mesmo  com a nossa letra torta, em um papel manchado de memórias e sonhos, de frustrações que vencemos e glórias que alcançamos!   Acorda!!  Esse dia não está no amanhã! O dia é hoje e a hora é agora! E em tempo, este não é mais um textão. É a carta de uma menina, antes adormecida, que neste dia, desperta na mulher que vos escreve.

Viviane Pascoal

Um dia uma criança me disse – parte 2

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