Três coisas que todo mundo concorda:

  • Bullying sempre existiu, ainda que não tivesse este nome.
  • Crianças podem ser bem cruéis quando querem.
  • As medidas tomadas até agora não estão funcionando!

O que propomos aqui é apontar 7 caminhos possíveis que tenham como destino uma educação para a paz!

A escola é ao mesmo tempo palco e protagonista no cenário da educação, portanto, o principal agente de mudanças. Por isso mesmo, a ela caberá se abrir para as ações e articulá-las para que o objetivo seja alcançado.

  1. Consciência

Há quem critique a nova Lei de 6 de novembro, que rege a prevenção e combate ao bullying, já que ela não prevê punição ou multa aos agressores ou seus responsáveis. Mas não se trata de punir os valentões, mas de compreender, fazê-lo enxergar, sentir, refletir e plantar a semente da mudança. Proporcionar esta tomada de consciência e mudança de atitude em uma fase onde o caráter está em formação é sem dúvida mais eficaz do ter de lidar com as consequências mais adiante. Também não se trata de passar a mão na cabeça da “vítima”, reforçando uma visão distorcida que ela já tem de si mesma, nem aplicar multas às escolas ou famílias, uma vez que as feridas causadas pelo bullying têm projeções incalculáveis, fluindo da vida íntima à profissional do indivíduo, podendo ser decisivo em suas relações sociais.

2.  O jogo do contrário

Se o bullying é vivenciado por pessoas que não se aceitam, que não conseguem somar suas diferenças, a proposta é fazer a operação inversa: trabalhar a partir das diferenças, encontrar múltiplas maneiras e linguagens de se falar de respeito, amor e sua forma mais sublime: amizade. A linguagem da arte, que por si só já tem grande potencial de tocar corações, é um dos caminhos.  Imagine que a partir de um livro, filme ou peça de teatro, a criança recrie, em grupo, a cena que por alguma razão foi a mais marcante. Lançar o seu olhar, propor sua própria solução a partir do que foi apresentado, desenvolve o protagonismo juvenil. Vivenciar o papel do outro é uma forma enviesada de olhar para si mesmo, assim a consciência se consolida.

3. O caderno coletivo

Um caderno normal, com folhas pautadas, escrito por várias mãos. Dentro dele uma única pergunta: O que você pode fazer HOJE por uma escola sem bullying? Sem precisar se identificar, alunos, professores, coordenadores, no momento em que desejarem, podem escrever o que quiserem, sem julgamentos. Uma variável do caderno pode ser a baú da consciência. Os textos são depositados em uma grande urna, e em algum momento, depois de algum tempo, todos podem compartilhar aquele tesouro.

4. Mensagens para adoçar o dia

Todo mundo gosta de um docinho!  E se junto com o docinho viesse uma mensagem positiva? Não aquelas frases prontas, que se encontram por aí! Mensagens escritas de coração, pelas crianças e professores. Cada um que retira um docinho, escreve uma mensagem de carinho para outra pessoa: pode ser um elogio, um incentivo, um agradecimento, algo divertido ou bonito que tenha lido ou ouvido. Qualquer coisa que faça alguém sorrir! Não importa a quem se destinará aquela mensagem. O que importa é a energia de carinho dedicada ali, e a gentileza sendo espalhada pela escola.

5. Dia do desafio

Logo no começo do dia, um novo desafio é proposto para toda a turma, e ele deve ser mantido até o final do dia. Alguns exemplos:

  • Hoje eu não vou xingar ninguém
  • Hoje eu vou fazer um gesto de gentileza para cada pessoa que falar comigo
  • Hoje eu vou falar com todo mundo com calma e paciência.
  • Hoje eu vou encontrar uma qualidade em cada um dos meus colegas.
  • Hoje eu vou participar ativamente da aula, colaborando com o professor.

6.  A árvore da gratidão

Os alunos são incentivados, ao final do dia, a grudarem em um painel uma frase sobre a melhor coisa que aconteceu naquele dia, terminando sempre com um “Por isso, muito obrigado (a).” A ideia é desviar o foco das coisas ruins que acontecem e ressaltar sempre o positivo, o que alegra e deixa feliz. Pessoas felizes não tem necessidade de humilhar ninguém para se divertir, nem vão para casa desejando  não voltar à escola.

7. Heróis anônimos

A escola é povoada de jovens inquietos, que querem saber de tudo, mas às vezes não conhecem sequer a história dos seus avós, ou dos seus pais, ou mesmo do colega ao seu lado. Querem conhecer o mundo, mas não sabe quem são seus vizinhos. A proposta é que eles escolham alguém de sua convivência e simplesmente escutem sua história, o que este herói anônimo pensa, o que sente, quais são seus sonhos. Esta é uma ação ousada e que demanda um tempo maior, mas coloca-os em contato com a própria realidade, na medida em que precisam conhecer e compreender as histórias das pessoas de seu bairro, seus familiares, convivas, até os próprios colegas, lançando certamente um olhar mais humano e respeitoso sobre as pessoas e situações. Mas não se trata apenas de conhecer. Cada um vai encontrar uma maneira de expressar aquela história: pode escrevê-la em forma de narrativa, pode gravar uma entrevista, recriar alguma passagem em forma de teatro, podendo a seu critério, convidar colegas para participarem da encenação, pode fazer uma música, paródia, poesia, história em quadrinho, ou simplesmente falar sobre a pessoa. Ousado? Bastante! Transformador? Com toda a certeza!

Estes são alguns dos caminhos por uma escola sem bullying e um mundo mais humano! E o melhor de tudo é que todos estes caminhos são possíveis e podem acontecer na sua escola! Mas é certo que existem outros! Que tal experimentar? E melhor ainda, que tal nos contar como foi a experiência?  Teremos prazer em registrar e contar aqui, e no blog Escola sem bullying!  O que se espera desta equação humana, artística e pedagógica é que o resultado seja de fato, uma educação para  a paz.

7 caminhos para uma educação para a paz

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